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Economia de 2023 será pior do que Lula e Bolsonaro já experimentaram antes.

Reportagem de Mariana Londres


Independente de quem sair vitorioso em 30 de outubro, tanto Lula quanto Bolsonaro encontrarão em 2023 um cenário mais desafiador do ponto de vista econômico do que quando assumiram os seus primeiros mandatos (Lula em 2003 e Bolsonaro em 2019).


O maior desafio será o fiscal: como acomodar no orçamento as promessas eleitorais, atender à demanda social que se colocou no pós-pandemia, e ao mesmo tempo respeitar o teto de gastos ou outra âncora fiscal.


"Temos muita incerteza em relação ao financiamento. E esse é o grande desafio na parte fiscal. Como equilibrar a necessidade de mais gastos com as regras fiscais de hoje, que não comportam esse aumento. E ainda com a incerteza na capacidade de geração de receita, já que o aumento recente de arrecadação tem característica mais conjuntural, e se assim for, não poderemos contar com esse desempenho para os próximos anos", diz Vilma da Conceição Pinto, diretora da IFI (Instituição Fiscal Independente).


Ela aponta que esses fatores são os de curto prazo, e precisam ser somados às questões estruturais da nossa economia, que permanecem, como a necessidade de recuperação da capacidade de investimento e o crescimento modesto do País por períodos muito longos.


O cenário fiscal de 2003, quando Lula assumiu a presidência, era completamente diferente ao que se apresentará em 2023, especialmente em relação ao resultado primário. "A dívida era muito atrelada à exposição externa. Nossa dívida externa líquida em 2002 era 15,6% do PIB, hoje é -8,6%, somos credores em dólar. A composição da nossa dívida mudou, o que muda a exposição ao risco. Naquela época também tínhamos capacidade de superávit primário maior do que temos hoje. Em 2002/2003 o primário do governo foi de 3 a 3,2% do PIB. Hoje no acumulado até agosto o superávit está perto de 2% mas com efeito conjuntural desse resultado. Nos próximos meses devemos ter uma piora nesse resultado, em função das reduções de impostos", explica.


Em 2018, quando Bolsonaro foi eleito presidente, o Brasil vinha de uma deterioração fiscal, com déficit elevado no resultado primário. Essa situação melhorou, o que significa que Bolsonaro em eventual segundo mandato terá uma situação aparentemente melhor do que quatro anos atrás, mas é importante notar que a melhora não se deu em função das reformas estruturantes, mas de contenções pontuais e temporárias, além de mudanças nas regras fiscais para acomodar novas despesas. Com isso, em 2023 a situação tende a ser pior do que em 2019.


Confira a matéria, acesse abaixo:

https://economia.uol.com.br/colunas/mariana-londres/2022/10/16/o-buraco-e-mais-embaixo-como-o-proximo-presidente-ira-receber-o-brasil.htm

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