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Consumo e Renda

Consumir é uma delícia, isto todos nós sabemos. Mas, o que permite este acesso a bens e serviços que tanto gostamos? A Renda. Como isto foi possível no Brasil?

Para responder a este questionamento temos que recuar um pouco no tempo, mais precisamente ao ano de 1994, quando foi iniciado o Plano Real. Nenhum país consegue crescer e se desenvolver sem uma moeda minimamente confiável, pelo menos do ponto de vista interno. Além do mais, não há salário forte com moeda fraca.

A primeira etapa consistiu em reduzir o processo inflacionário. O efeito nocivo da inflação é que ela afeta a função central da moeda – a de Reserva de Valor. Se ao acumular moeda o cidadão fica ‘menos rico’ porque o volume de bens e serviços que ele pode adquirir vai diminuindo ao longo do ano, o desinteresse em poupar faz com que ele consuma. Sendo assim, a estabilidade monetária é o primeiro passo para as outras políticas – fiscal e de rendas.

Vivemos num Sistema Fiduciário e a população precisa confiar na Moeda e nas instituições para que tudo funcione. Caso contrário, nós não usaremos a moeda oficial do país, simplesmente porque não acreditamos nela.

A Política de Rendas aplicada, posteriormente, permitiu o famoso ‘aumento real de Renda da população’. Neste caso, o termo real refere-se ao valor, descontado da inflação. Cada vez que os trabalhadores recebem um aumento salarial, sendo este através do dissídio anual da categoria, e este percentual é maior que o IPCA (índice oficial do governo para medir a inflação) há o aumento real de renda. Com esta política, repetida ano após ano, cria-se uma renda maior para o trabalhador, e consequentemente a chave de acesso ao consumo. E ao crédito.

Com a crise de 2008 afetando fortemente os Estados Unidos e a Europa, o Brasil decidiu colocar em prática várias medidas – monetárias e fiscais – para estimular o consumo. Além de colocar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica para fornecer crédito para seus correntistas. Os impostos foram reduzidos, especificamente o IPI (Imposto Produtos Industrializados) de alguns setores escolhidos pelo Governo, como: Automóveis, eletrodomésticos, móveis e material de construção. Isto realmente estimulou a economia e tivemos os anos de 2009 e 2010 com crescimento e muito otimismo.

Infelizmente esta brisa de prosperidade foi embora, 2011 e 2012 foram anos de péssimos resultados, e PIBs ínfimos. A repetição dos mesmos estímulos não foi eficiente, mesmo porque a população passou a comprar a crédito, não a vista. E aí que mora o problema…

Enquanto tivermos postos de trabalho disponíveis, tudo se segura – meio na corda bamba é verdade, mas vai -se empurrando. O que não pode acontecer com uma pessoa endividada é perder o emprego. Aí a coisa complica!

O que o manual de economia recomenda? O Consumo deve ser DEPOIS da Renda, mas… Depois que inventaram o cartão de crédito, inverteu-se a ordem das coisas e aí o Consumo passou a se realizar ANTES da Renda. Primeiro eu consumo e depois ‘corro’ para pagar. Disciplina financeira é a única saída possível. Como anda a sua?

Carla Beni, economista, professora da FGV Management



-24/04/2013

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