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Raio X: O que esperar da economia – e da Contabilidade – neste segundo semestre?

Eleições, Copa do Mundo, o esforço do Executivo Nacional em frear a inflação, pós-pandemia, guerra da Rússia contra a Ucrânia, ameaça de uma recessão que se desenha no cenário externo… O mercado segue registrando novidades, como o teto na cobrança do ICMS sobre os combustíveis e os demais itens essenciais (energia elétrica, transporte público e comunicação), o qual, inclusive, já virou lei, e pode contribuir com dois ou três pontos percentuais para diminuir o aumento dos preços de bens e serviços.

Para comentar as perspectivas para a segunda metade de 2022, o Portal Dedução conversou com a economista e professora do MBA da FGV, Carla Beni Menezes de Aguiar.

Acompanhe suas previsões, bem como seu ponto de vista sobre como elas afetarão a Contabilidade.


Quais são as projeções, da concepção econômica, para o segundo semestre de 2022? Poderia traçar um “cenário” contemplando os principais índices?

A projeção em 8 de julho, para o fim do ano, comporta mais uma elevação da Taxa Selic, encerrando o ano na faixa de 13,75%. A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, que está em torno de 8% ao ano, é reflexo da redução da carga tributária sobre os combustíveis e o fim da bandeira vermelha nas contas de energia. Ademais, chama atenção o câmbio comercial em 5,20 com fortes oscilações, frente às incertezas internacionais e o Produto Interno Bruto – PIB com crescimento de 1,60%, em relação ao ano passado.


O processo eleitoral poderá interferir nos índices econômicos no segundo semestre?

Sim, na medida da aprovação do pacote de agrado oportunista da reeleição, injetando dinheiro na economia (R$41 bilhões projetados) e elevando o PIB de forma temporária e artificial.


O Brasil tem surpreendido apresentando índices mais favoráveis do que preveem os organismos internacionais. Essa tendência deve se manter?

Os índices mais favoráveis, em grande medida, referem-se às exportações de commodities que se valorizaram devido à guerra na Ucrânia. As incertezas são muitas em relação a esta guerra, principalmente com a chegada do inverno europeu. Todavia, no caso brasileiro, os resultados melhores estão mais relacionados com as medidas temporárias de cunho eleitoral. Para o ano que vem, as tendências mudarão radicalmente.


Você acredita que neste cenário pós-pandêmico e com guerra, o Brasil poderá crescer em V, como anuncia o ministro da Economia, Paulo Guedes?

O crescimento em V já se configurou quando paramos para observar a queda do PIB em 2020 (-3,9%) e o aumento em 2021 (+4,6%). Este fenômeno se aplicou a todos os países, não foi algo restrito somente ao Brasil. O importante é observar o quão sustentável é este crescimento, uma vez que a melhora das projeções para este ano está atribuída às medidas de curto prazo e 2023 projeta um pífio desempenho de PIB a 0,5%.


Para as empresas, essa é a hora de investir ou economizar?

O Tesouro Nacional, hoje [14 de julho] está pagando o percentual de 6,14% ao ano, acima da inflação, ou seja, IPCA + 6,14%aa para um título público com zero de risco e vencimento final em 2026. Um empresário precisa ter muita certeza sobre o retorno de seu risco para decidir retirar seu dinheiro do mercado de renda fixa e colocar no lado real da economia, produtor de bens e serviços. Outro ponto fundamental, para além desta questão puramente financeira, é a instabilidade política do País. Os empresários necessitam de estabilidade para fazer investimentos de longo prazo e ameaças às estruturas democráticas tendem a postergar estas decisões.


Com o cenário econômico mundial desafiador – inflação elevada, juros altos e um aperto da política monetária, há expectativas de que a economia do mundo entre em crise?

Sim, há uma chance considerável de recessão nos Estados Unidos e deterioração do quadro econômico na Europa, com a chegada do inverno e a elevação dos custos energéticos, tendo em vista a continuidade da guerra.


Nesse contexto, quais são os principais desafios para o Brasil?

Controle inflacionário é o mais relevante de todos porque a inflação elevada acentua a concentração de renda.


No Brasil, os créditos de carbono já são realidade ou ainda são considerados como utopia?

Um mercado de créditos de carbono necessita de uma regulamentação clara, eficiente e em consonância com o mercado internacional para que se possa exportar créditos, por exemplo. Após 12 anos de espera, foi publicado em maio deste ano um decreto para regulamentar as regras do mercado de baixo carbono no País. Ele estabelece procedimentos para a elaboração de planos setoriais de mitigação das mudanças climáticas para diversos setores da economia e institui o Sistema Nacional de Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa – Sinare. Caberá aos Ministérios do Meio Ambiente e da Economia elaborar regras sobre o registro, padrão de certificação, credenciamento de certificadoras e centrais de custódia e a implementação, a operacionalização e a gestão do Sinare. Sem dúvida, este é o início de um mercado muito promissor.


Qual a importância da Contabilidade de carbono para um desenvolvimento econômico sustentável?

Créditos de carbono se originam em projetos que diminuam a emissão de gases de efeito estufa, podendo ser o reflorestamento de uma área degradada, o investimento em energias limpas e a substituição de uma fonte de energia suja por outra limpa. Este é o lado positivo que deve ser estimulado e contabilizado no patrimônio das empresas. Com relação ao desenvolvimento global sustentável, há que se considerar uma crítica a este mercado, uma vez que ele precifica a emissão de gases e isto faz com que os países desenvolvidos e ricos continuem poluindo e compensando com créditos de países em desenvolvimento e mais pobres.


Diante do atual cenário, o que é recomendável para os profissionais contábeis a fim de manter a saúde e o equilíbrio das contas empresariais?

Vejo que o uso da inteligência artificial é essencial para facilitar processos. Trata-se de algo irreversível e positivo no setor contábil. Isto habilitará o profissional contábil na direção certa de auxílio ao empresário no que diz respeito a sua gestão e tomada de decisão. Os profissionais contábeis necessitarão cada vez mais de especialização em áreas correlatas como a economia e administração, com o objetivo de orientar e prevenir problemas fiscais e contábeis que possam gerar despesas desnecessárias aos empresários.



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